Ponto & Contraponto: Alexandre Porto alerta que segurança nas escolas exige debate, planejamento e soluções reais

Administrador e especialista em gestão educacional analisa propostas após tragédia em sala de aula e afirma que medidas rápidas, como detectores de metal, podem gerar apenas sensação de segurança.

Por News Rondônia
5 Min

A segurança nas instituições de ensino voltou ao centro do debate público em Rondônia após a morte da professora Juliana Santiago. O caso gerou comoção e abriu discussões sobre possíveis medidas para evitar novas tragédias, incluindo propostas que já começam a surgir no cenário político, como a instalação de detectores de metal em escolas e faculdades.

No podcast Ponto & Contraponto, do News TV, o administrador de empresas e especialista em gestão educacional Alexandre Porto participou de um debate aprofundado sobre o tema e trouxe uma análise técnica sobre os desafios de transformar preocupação legítima em políticas realmente eficazes.

Logo no início da conversa, Alexandre Porto destacou que a discussão é necessária, mas precisa ser conduzida com responsabilidade. Para ele, decisões tomadas no calor da emoção podem acabar criando soluções superficiais, que geram apenas uma falsa sensação de segurança.

Segundo o especialista, a violência não pode ser tratada como um problema isolado dentro das escolas. Na avaliação dele, o cenário reflete um contexto mais amplo da sociedade.

“Hoje vemos conflitos e crimes acontecendo em diversos ambientes. A escola faz parte da sociedade. Não é um problema que começa e termina dentro da instituição de ensino”, afirmou.

Detectores de metal podem não resolver o problema

Um dos pontos mais discutidos recentemente é a possibilidade de instalar detectores de metal nas entradas de escolas e universidades. Para Alexandre Porto, a medida precisa ser analisada com cautela.

Ele explica que, apesar de parecer uma solução rápida, a eficácia prática pode ser limitada.

“Colocar um detector de metal pode passar uma sensação de segurança. Mas e o estacionamento? E os acessos laterais? E objetos comuns que podem ser usados como arma? Precisamos pensar no problema de forma mais ampla”, argumentou.

Além disso, ele também levantou questões operacionais, como o acesso de policiais que estudam nas instituições e que, por lei, podem portar arma 24 horas por dia.

Quem paga essa conta?

Outro ponto importante levantado no debate foi o impacto financeiro das possíveis medidas de segurança.

Segundo Alexandre Porto, qualquer investimento obrigatório acaba entrando na planilha de custos das instituições.

No caso das escolas e faculdades privadas, isso pode significar aumento nas mensalidades. Já nas instituições públicas, a despesa recai diretamente sobre os cofres do Estado — ou seja, sobre toda a sociedade.

Ele também alertou que exigir estruturas caras de forma igual para todas as instituições pode prejudicar unidades menores, especialmente no interior do estado.

“Existem instituições grandes, médias e pequenas. Uma exigência que funcione para uma grande universidade pode simplesmente inviabilizar uma instituição menor”, explicou.

Segurança precisa de planejamento

Durante o programa, Alexandre Porto defendeu que a discussão sobre segurança nas escolas precisa envolver todos os setores ligados à educação.

Entre os grupos que deveriam participar desse debate, ele citou:

  • representantes das instituições de ensino públicas e privadas

  • sindicatos de professores e trabalhadores da educação

  • forças de segurança pública

  • órgãos governamentais ligados à educação

  • especialistas em psicologia e comportamento

  • representantes dos alunos

Segundo ele, apenas um debate amplo pode gerar soluções que realmente funcionem na prática.

“Quem vive a realidade da educação precisa ser ouvido. Não dá para decidir isso apenas dentro de um gabinete”, destacou.

Protocolos e prevenção podem ser caminhos

Mais do que equipamentos, o especialista acredita que protocolos de segurança e orientação podem ter impacto mais direto na prevenção de situações de risco.

Entre as medidas discutidas estão planos de contingência, orientações para professores e alunos, procedimentos em casos de conflito e maior atenção a sinais de comportamento preocupante.

Para Alexandre Porto, essas estratégias podem ajudar a reduzir vulnerabilidades sem prejudicar a relação pedagógica entre professores e estudantes.

Cuidado com o sensacionalismo

Outro ponto levantado durante o debate foi o risco de que tragédias sejam usadas para alimentar disputas políticas ou debates superficiais nas redes sociais.

O especialista reforçou que o momento exige respeito às vítimas e responsabilidade na busca por soluções.

“Não existe fórmula mágica para resolver esse problema. O que precisamos é de diálogo, planejamento e bom senso”, afirmou.

Segurança é responsabilidade coletiva

Ao final do programa, Alexandre Porto reforçou que garantir ambientes seguros nas instituições de ensino depende de ações integradas entre sociedade, poder público e comunidade escolar.

Para ele, a prioridade deve ser proteger professores, alunos e trabalhadores da educação sem recorrer a medidas improvisadas.

“A segurança precisa ser construída com planejamento e participação de todos. Caso contrário, corremos o risco de criar mais uma lei que fica apenas no papel”, concluiu.

https://www.youtube.com/watch?v=dm88DeoU-_Y

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Fonte: https://newsrondonia.com.br/noticias/2026/03/03/ponto-contraponto-alexandre-porto-alerta-que-seguranca-nas-escolas-exige-debate-planejamento-e-solucoes-reais/

FONTE: https://newsrondonia.com.br/noticias/2026/03/03/ponto-contraponto-alexandre-porto-alerta-que-seguranca-nas-escolas-exige-debate-planejamento-e-solucoes-reais/
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