A segurança nas instituições de ensino voltou ao centro do debate público em Rondônia após a morte da professora Juliana Santiago. O caso gerou comoção e abriu discussões sobre possíveis medidas para evitar novas tragédias, incluindo propostas que já começam a surgir no cenário político, como a instalação de detectores de metal em escolas e faculdades.
No podcast Ponto & Contraponto, do News TV, o administrador de empresas e especialista em gestão educacional Alexandre Porto participou de um debate aprofundado sobre o tema e trouxe uma análise técnica sobre os desafios de transformar preocupação legítima em políticas realmente eficazes.
Logo no início da conversa, Alexandre Porto destacou que a discussão é necessária, mas precisa ser conduzida com responsabilidade. Para ele, decisões tomadas no calor da emoção podem acabar criando soluções superficiais, que geram apenas uma falsa sensação de segurança.
Segundo o especialista, a violência não pode ser tratada como um problema isolado dentro das escolas. Na avaliação dele, o cenário reflete um contexto mais amplo da sociedade.
“Hoje vemos conflitos e crimes acontecendo em diversos ambientes. A escola faz parte da sociedade. Não é um problema que começa e termina dentro da instituição de ensino”, afirmou.
Um dos pontos mais discutidos recentemente é a possibilidade de instalar detectores de metal nas entradas de escolas e universidades. Para Alexandre Porto, a medida precisa ser analisada com cautela.
Ele explica que, apesar de parecer uma solução rápida, a eficácia prática pode ser limitada.
“Colocar um detector de metal pode passar uma sensação de segurança. Mas e o estacionamento? E os acessos laterais? E objetos comuns que podem ser usados como arma? Precisamos pensar no problema de forma mais ampla”, argumentou.
Além disso, ele também levantou questões operacionais, como o acesso de policiais que estudam nas instituições e que, por lei, podem portar arma 24 horas por dia.
Outro ponto importante levantado no debate foi o impacto financeiro das possíveis medidas de segurança.
Segundo Alexandre Porto, qualquer investimento obrigatório acaba entrando na planilha de custos das instituições.
No caso das escolas e faculdades privadas, isso pode significar aumento nas mensalidades. Já nas instituições públicas, a despesa recai diretamente sobre os cofres do Estado — ou seja, sobre toda a sociedade.
Ele também alertou que exigir estruturas caras de forma igual para todas as instituições pode prejudicar unidades menores, especialmente no interior do estado.
“Existem instituições grandes, médias e pequenas. Uma exigência que funcione para uma grande universidade pode simplesmente inviabilizar uma instituição menor”, explicou.
Durante o programa, Alexandre Porto defendeu que a discussão sobre segurança nas escolas precisa envolver todos os setores ligados à educação.
Entre os grupos que deveriam participar desse debate, ele citou:
representantes das instituições de ensino públicas e privadas
sindicatos de professores e trabalhadores da educação
forças de segurança pública
órgãos governamentais ligados à educação
especialistas em psicologia e comportamento
representantes dos alunos
Segundo ele, apenas um debate amplo pode gerar soluções que realmente funcionem na prática.
“Quem vive a realidade da educação precisa ser ouvido. Não dá para decidir isso apenas dentro de um gabinete”, destacou.
Mais do que equipamentos, o especialista acredita que protocolos de segurança e orientação podem ter impacto mais direto na prevenção de situações de risco.
Entre as medidas discutidas estão planos de contingência, orientações para professores e alunos, procedimentos em casos de conflito e maior atenção a sinais de comportamento preocupante.
Para Alexandre Porto, essas estratégias podem ajudar a reduzir vulnerabilidades sem prejudicar a relação pedagógica entre professores e estudantes.
Outro ponto levantado durante o debate foi o risco de que tragédias sejam usadas para alimentar disputas políticas ou debates superficiais nas redes sociais.
O especialista reforçou que o momento exige respeito às vítimas e responsabilidade na busca por soluções.
“Não existe fórmula mágica para resolver esse problema. O que precisamos é de diálogo, planejamento e bom senso”, afirmou.
Ao final do programa, Alexandre Porto reforçou que garantir ambientes seguros nas instituições de ensino depende de ações integradas entre sociedade, poder público e comunidade escolar.
Para ele, a prioridade deve ser proteger professores, alunos e trabalhadores da educação sem recorrer a medidas improvisadas.
“A segurança precisa ser construída com planejamento e participação de todos. Caso contrário, corremos o risco de criar mais uma lei que fica apenas no papel”, concluiu.
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